Quando a Tecnologia Cria Pontes: A Experiência do Centro de Bem-Estar Social de Coz com a Sioslife

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No Centro de Bem-Estar Social de Coz, a tecnologia entrou com um propósito muito claro: aproximar pessoas, reforçar ligações e levar a instituição até quem escolhe permanecer em casa.
Com 51 utentes e diferentes respostas sociais - Centro de Dia, Centro de Convívio e Serviço de Apoio Domiciliário -, a instituição encontrou na Sioslife uma aliada para a animação, a interação e a comunicação com as famílias.

Esta experiência tem sido acompanhada de perto pela Dra. Ana Paula Pires, Técnica Superior de Educação Social, que partilhou connosco como tem sido este caminho.

Levar a instituição até quem escolhe ficar em casa

Um dos aspetos mais valorizados por Ana Paula Pires é a possibilidade de acompanhar também os utentes que optam pelo Serviço de Apoio Domiciliário.

“São pessoas que preferem continuar em casa, mas isso não significa que deixem de estar ligadas à instituição.”

Através do sistema Sioslife, estes utentes mantêm contacto com a equipa, com outros utentes e com as famílias, mesmo sem frequentarem o espaço físico da instituição. Dois utentes acamados utilizam o tablet em casa de forma regular, o que lhes permite continuar a sentir-se parte do dia a dia do Centro de Bem-Estar Social de Coz - e, quando possível, fazem parte das atividades também.

Jogos, música e karaoke: bem-estar que se sente todos os dias

No quotidiano da instituição, as funcionalidades mais utilizadas são os jogos cognitivos, como a Sopa de Letras, os vídeos e, sobretudo, a música e o karaoke, que ocupam um lugar muito especial no trabalho desenvolvido com os utentes.

“A música e o karaoke são das coisas que eles mais gostam. Nota-se logo a diferença.”

Em contextos de demência, a música é usada como forma de tranquilização, de evocação de memórias e de promoção do bem-estar, muitas vezes antes de qualquer outra intervenção. Ana Paula Pires lembra um momento particularmente marcante:

“Ela já quase não falava… mas quando começou a ouvir a música, começou a chorar e a cantar tudo do início ao fim. Cantou a letra inteira. Foi impressionante para todos nós.”

Um desses instantes em que a música fala onde as palavras já não chegam.

Uma videochamada que emocionou todos

Entre os momentos mais tocantes vividos com a Sioslife, Ana Paula Pires recorda uma videochamada muito especial realizada através da Rede Social da Sioslife.

A ligação foi feita entre os utentes do Centro de Dia e uma utente em SAD, muito conhecida na terra — a D. Fátima — que, por motivos de saúde, já não se desloca à instituição.

“Foi tão bonito… eles reconheceram-na logo, falaram com ela, elogiaram-na. Foi mesmo emocionante.”

Durante alguns minutos, a distância deixou de existir. A D. Fátima voltou a estar “no meio deles”, a conversar, a rir e a sentir-se parte do grupo como sempre foi ao longo da vida.
A intenção da equipa é repetir esta experiência no Natal, para manter viva esta ligação entre quem está na instituição e quem está em casa.

O tablet que acompanhou o Sr. Francisco na recuperação

Outro caso que marcou a equipa foi o do Sr. Francisco, que levou o tablet consigo durante um período de hospitalização e reabilitação.

Com a Sioslife, conseguiu manter contacto com a família, com os colaboradores da instituição e continuar a acompanhar as suas notícias diárias — um hábito muito importante para si.

Ana Paula Pires resume este impacto de forma simples:

“Mesmo fora da instituição, sentiu-se acompanhado. E isso fez toda a diferença.”

Tecnologia que aproxima gerações

No Centro de Bem-Estar Social de Coz, a Sioslife também ajudou a criar novas formas de ligação entre avós, netos e bisnetos, sobretudo através dos jogos no tablet.

“Nota-se mais interação entre gerações. Muitas vezes os mais novos ajudam os avós a jogar, e isso cria momentos muito bonitos.”

A tecnologia passou a ser também um ponto de encontro familiar.

Um passo consciente na evolução digital

Para Ana Paula Pires, o impacto da Sioslife é claro, vivido de forma realista e progressiva:

“É um software interessante, que privilegia a comunicação entre a instituição, os utentes e as famílias. É um passo importante no nosso caminho digital.”

Apesar das expectativas iniciais elevadas, o balanço é positivo: mais interação, mais proximidade, mais presença — mesmo quando a presença física não é possível.

Quando a tecnologia faz sentido porque serve pessoas

No Centro de Bem-Estar Social de Coz, a Sioslife não é vista como um fim em si mesma. É uma ferramenta ao serviço das pessoas, integrada no trabalho diário da equipa, lado a lado com o cuidado humano.

Porque, no final, o que fica não é o ecrã — são os reencontros, as emoções, as memórias despertadas e a certeza de que ninguém está sozinho.